Se você chegou até aqui procurando saber se vale mais a pena vender pelo Uber Eats ou pelo iFood, temos uma notícia importante: essa comparação não existe mais. O Uber Eats encerrou as entregas de restaurantes no Brasil em março de 2022 — e o mercado de delivery mudou completamente desde então.
A boa notícia? Nunca houve tantas opções — e tantas condições favoráveis — para quem tem restaurante, lanchonete, pizzaria ou dark kitchen. Novos aplicativos chegaram com investimentos bilionários e taxas muito menores do que as praticadas nos últimos anos.
Neste artigo, explicamos por que o Uber Eats saiu do Brasil, o que mudou no mercado e comparamos as principais plataformas disponíveis em 2026. Trabalhamos há mais de 28 anos com gestão de food service e acompanhamos de perto a operação de mais de 23 mil estabelecimentos — e o que vemos na prática é que a escolha certa dos canais de venda pode representar até 20 pontos percentuais de diferença na margem de cada pedido.
O Uber Eats acabou no Brasil?
Sim. Em março de 2022, a Uber descontinuou o serviço de entregas de restaurantes no país. A empresa manteve apenas o Uber Flash, voltado para entrega de pacotes e objetos, e concentrou sua operação brasileira no transporte de passageiros.
O aplicativo Uber Eats segue funcionando em outros países, como Estados Unidos e México. Mas, para o food service brasileiro, ele deixou de ser uma opção. Quem dependia da plataforma precisou migrar às pressas para o iFood ou acelerar a construção de canais próprios de venda.
Por que o Uber Eats saiu do Brasil
A decisão combinou três fatores principais:
- Concentração do mercado: o iFood já dominava a grande maioria dos pedidos no país, e disputar essa liderança exigia investimentos cada vez maiores;
- Estratégia global: a Uber optou por focar no que era mais rentável no Brasil — a mobilidade de passageiros;
- Custo da operação: logística de comida é uma operação de margem apertada, que só se sustenta com escala muito grande.
Para o dono de restaurante, fica uma lição valiosa: depender de uma única plataforma é um risco real. Quando um canal fecha as portas — ou muda as taxas de uma hora para outra — quem não tem alternativas perde faturamento da noite para o dia. Por isso, vale conhecer os diferentes canais de venda para o seu food service e diversificar.
O que mudou no delivery desde então: a nova guerra dos apps
Se a saída do Uber Eats deixou o mercado concentrado, 2025 marcou o movimento contrário — a maior disputa do setor desde a pandemia:
- A 99Food voltou ao Brasil com investimento anunciado de mais de R$ 1 bilhão e uma proposta agressiva de taxa zero para restaurantes;
- A Keeta, braço internacional da chinesa Meituan — maior empresa de delivery do mundo —, iniciou sua operação por Santos e São Vicente e expandiu para São Paulo e região metropolitana, com plano bilionário de expansão nacional;
- O Rappi anunciou novo ciclo de investimentos com isenção de comissão por três anos para atrair restaurantes.
O resultado é que, pela primeira vez em anos, o restaurante tem poder de negociação. As plataformas estão disputando o seu cardápio — e isso significa taxas menores, repasses mais rápidos e fim das exclusividades.
As principais alternativas ao Uber Eats em 2026
iFood: o líder absoluto
O iFood segue sendo, de longe, o maior aplicativo de delivery do Brasil, com mais de 80% de participação de mercado e a maior base de clientes e entregadores do país. Se o objetivo é volume de pedidos, é onde está a audiência.
Em contrapartida, é também a plataforma com o maior custo por pedido: as comissões variam de cerca de 12% (plano com entrega própria) até 27% (planos com entrega pela plataforma), além de mensalidade a partir de determinado faturamento. O prazo de repasse pode chegar a 30 dias, dependendo do plano e da antecipação contratada.
Saiba mais: Como funciona o iFood? Vantagens e desvantagens para o seu restaurante
99Food: a aposta da taxa zero
A 99Food — do grupo DiDi, dona do app 99 — retornou ao Brasil em 2025 com a proposta mais agressiva do mercado: restaurantes parceiros não pagam comissão nem mensalidade nos dois primeiros anos de operação. Nesse período, os custos se resumem à taxa de pagamento digital de 3,2% e, quando aplicável, aos custos de entrega.
Na prática, a diferença é enorme: em um pedido de R$ 100, o restaurante fica com cerca de R$ 92 na 99Food, contra aproximadamente R$ 74 no modelo tradicional das plataformas com comissão cheia. Após o período promocional, a comissão anunciada fica entre 8,9% e 12%, conforme o modelo escolhido.
São dois formatos de operação: Full Service, em que a própria 99Food cuida da entrega com taxa conforme a distância, e Marketplace, em que o restaurante recebe os pedidos pelo app e entrega com equipe própria.
O ponto de atenção é a cobertura: a plataforma ainda está em expansão pelas cidades brasileiras, então vale verificar se a sua região já é atendida.
Keeta: a gigante chinesa
A Keeta é o braço internacional da Meituan, que processa cerca de 80 milhões de pedidos por dia na China. A operação brasileira começou em outubro de 2025, com piloto em Santos e São Vicente, e chegou a São Paulo e região metropolitana em dezembro do mesmo ano, com plano de expansão acelerada pelo país.
Os diferenciais anunciados para os restaurantes:
- Taxas de 2 a 3 pontos percentuais menores do que as praticadas pelo líder de mercado para o mesmo perfil de operação;
- Repasse dos recebíveis em 7 dias, sem taxa de antecipação — contra prazos que chegam a 30 dias em outras plataformas;
- Sem contratos de exclusividade, permitindo operar em vários apps ao mesmo tempo;
- Política de horário garantido, com compensação ao cliente em caso de atraso.
Comparativo rápido: iFood x 99Food x Keeta
| Plataforma | Comissão | Repasse | Cobertura | Melhor para quem |
|---|---|---|---|---|
| iFood | ~12% a 27%, conforme o plano | Até 30 dias, conforme plano | Nacional | Busca o maior volume de pedidos |
| 99Food | 0% por até 2 anos (+3,2% de pagamento digital); depois, 8,9% a 12% | Semanal | Em expansão | Quer margem máxima e testar o canal sem custo |
| Keeta | 2 a 3 p.p. abaixo do líder | 7 dias, sem taxa de antecipação | SP, RJ e em expansão | Precisa de fluxo de caixa rápido e sem exclusividade |
Valores e condições anunciados pelas plataformas e sujeitos a alteração conforme região, contrato e período promocional. Confirme sempre as condições vigentes no cadastro.
Quer a análise aprofundada de cada plataforma? Veja nosso comparativo completo: iFood, 99Food ou Keeta.
Como escolher — spoiler: não escolha só uma
O erro do passado era perguntar “qual app usar”. Em 2026, a pergunta certa é: como operar em vários canais sem perder o controle?
Estar em duas ou três plataformas ao mesmo tempo reduz a dependência de um único canal, aumenta a visibilidade da sua marca e permite aproveitar janelas de oportunidade — como os períodos de taxa zero. Como a Keeta não exige exclusividade e a 99Food isenta comissões, o custo de testar os novos apps é praticamente só operacional.
E é justamente aí que mora o desafio: cardápios que precisam estar sincronizados em todos os canais, pedidos chegando de telas diferentes ao mesmo tempo na cozinha e uma conciliação financeira separada para cada plataforma. Sem organização, o ganho de margem se perde em erro operacional.
Leia também: Sistema integrado com iFood: por que centralizar seus pedidos
Como nós ajudamos você a vender em todos os canais
Foi para resolver esse desafio que desenvolvemos um sistema de gestão que centraliza os pedidos de delivery, salão e balcão em uma única tela — com integração aos principais aplicativos, controle de estoque em tempo real, emissão fiscal e conciliação financeira por canal.
Assim, você aproveita a nova concorrência entre os apps para aumentar a margem, sem transformar a sua cozinha em um caos de tablets. E se você está começando a operar no delivery agora, dá para dar o primeiro passo sem investimento: temos um plano gratuito para organizar a gestão do seu negócio desde o primeiro pedido.
Conclusão
A saída do Uber Eats do Brasil encerrou uma era — mas a chegada da 99Food e da Keeta abriu outra, muito mais favorável para quem vende comida. Taxas menores, repasses mais rápidos e fim da exclusividade colocam o dono do restaurante no comando da negociação pela primeira vez em anos.
Nossa recomendação, depois de acompanhar milhares de operações de food service: diversifique seus canais, aproveite as condições promocionais com atenção ao custo pós-período e estruture a gestão antes de escalar o volume. Margem boa não vem só da taxa menor — vem do controle da operação.
Perguntas frequentes
O Uber Eats ainda funciona no Brasil?
Não para restaurantes. O serviço de delivery de comida foi encerrado em março de 2022. No Brasil, a Uber mantém apenas o transporte de passageiros e o Uber Flash, para envio de pacotes.
Qual app de delivery tem a menor taxa em 2026?
Atualmente, a 99Food pratica as menores taxas: comissão e mensalidade zeradas por até dois anos para novos parceiros, restando apenas a taxa de pagamento digital de 3,2%. A Keeta vem em seguida, com taxas de 2 a 3 pontos percentuais abaixo das do iFood, que segue com os custos mais altos — mas também com o maior volume de clientes.
Posso vender em mais de um aplicativo ao mesmo tempo?
Sim. As novas plataformas não exigem exclusividade, e operar em múltiplos canais é a estratégia mais segura para não depender de um único app. O importante é ter um sistema de gestão que centralize os pedidos e o financeiro de todos os canais em um só lugar.


